Pesquisa traça perfil do profissional que há 20 anos escreve a história da genômica e bioinformática no Brasil

 

 

A genômica e bioinformática – área de conhecimento interdisciplinar da biologia que estuda a estrutura, a função, a evolução o mapeamento e a edição dos genomas (conjuntos de DNA de um organismo) e que vem contribuindo de forma decisiva para explicar a dinâmica do novo coronavírus – completou 20 anos de história no Brasil.

 

O marco nacional inicial foi a criação da Rede Genoma Nacional, em 2000, embora outros eventos anteriores tenham sido relevantes, como o mapeamento da Xylella fastidiosa.

 

Para celebrar o aniversário e contribuir para a reflexão sobre o campo acadêmico no país, foram anunciados os resultados de um estudo que mapeou os profissionais da área e a percepção que eles têm do campo no Brasil e no exterior.

 

Entre os que responderam o estudo, por meio de um questionário online, há equilíbrio de homens e mulheres. Grande parte dos participantes em atividade fez graduação em universidade pública e 80% desenvolvem a carreira em instituições públicas de ensino e pesquisa. Mas 10,2% estão desempregados. Entre os que estão atuantes, cerca de 60% aplicam seus estudos na área da saúde.

 

A maior parte dos entrevistados enxerga um futuro promissor para a área. No entanto, o corte de investimentos na área, acentuado nos últimos cinco anos, gera insegurança e a comunidade chama atenção para a necessidade de as empresas absorverem mão-de-obra.

 

A pesquisa foi realizada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pelo Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INPT-CPCT), pela internet, entre fevereiro e agosto deste ano.

 

O questionário foi enviado para pós-graduações de áreas correlatas, alunos de cursos de extensão e especialização, redes de genômica e bioinformática nacionais, além de ter sido divulgado amplamente no meio acadêmico, entre empresas de biotecnologia e canais de divulgação científica. Responderam à enquete cerca de 550 estudantes e profissionais.

 

“Achamos que foi importante o número de respostas e a participação. Visto que temos em torno de 1.200 pessoas atuando na área. Tivemos uma ampla representatividade de todas as regiões do país”, explica Ana Tereza Vasconcelos, chefe do Laboratório de Bioinformática do LNCC.

 

A presença de pesquisadores em praticamente todos os estados brasileiros, a despeito da concentração na região Sudeste, reflete, segundo Ana Tereza, o papel decisivo de políticas de governo e investimento no setor.

 

“Todo o desenvolvimento genômica e bioinformática no Brasil só foi possível com a atuação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A nossa produção científica já esteve entre as melhores do mundo. Uma importante publicação internacional escreveu uma matéria se referindo ao Brasil com o título ‘Futebol, Samba e Genômica’”, acrescenta ela.

 

Luisa Massarani, coordenadora do INPT-CPCT e também integrante da equipe que realizou o estudo, destaca o trabalho em rede característico da área. “Metade dos que responderam a enquete afirmou ter colaborações no Brasil e 35% com pesquisadores do exterior”, ressalta. Ana Tereza complementa: “Sendo uma área de equipamentos e insumos caros, é fundamental o trabalho em rede tanto no Brasil, na América Latina e internacionalmente.”

 

Além de Ana Tereza e Luisa, integram a equipe do estudo Mariana Rocha, do TU Dublin Computer Science/INCT-CPCT, e Sandro de Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

 

Os resultados foram apresentados na 72ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no dia 1 de dezembro (ver palestra “20 anos de genômica e bioinformática no Brasil”). Haverá também uma apresentação no dia 14 de dezembro, no evento Geno Bio 20, uma promoção da Sociedade Brasileira de Genética (SBG), com transmissão pelo canal da entidade no Youtube.

 

Imagem: Pixabay

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